Mais uma vez nos pênaltis! Novamente estamos eliminados no estadual por conta da ineficiência de nossos jogadores quando se trata de disputa por penais, como já tem sido de praxe. Eu seria ridículo se dissesse que merecíamos mais do que eles a vaga na final, já que qualquer um que assistiu à partida foi capaz de perceber o quanto foram mais organizados em campo. Claro, isso nem sempre é o mais importante para credenciar à vitória, afinal, estamos falando de futebol, mas não podemos ignorar este fato.
Não vou dizer que faltou raça ou técnica, jogamos de igual pra igual, com raça e vontade, e sim, poderíamos ter saído com a vitória, mas como permitimos que eles empatassem no tempo normal, caímos mais uma vez nos penais. De qualquer forma, mostramos nossa força e que estamos vivos para a Taça Rio. Ao menos, não demos vexame como aquele time lá…
PRIMEIRO TEMPO MUITO ESTUDADO E DE POUCAS OPORTUNIDADES
A partida até que começou acelerada e com menos de dois minutos de jogo já havíamos criado boa oportunidade de gol e também quase sofrido o primeiro em tentativa de cabeçada de Fred. Mas foi só! Depois disso a marcação acirrada das duas equipes dificultava a criação de jogadas e ambos apelaram para os lançamentos que quase sempre não dão em nada.
Vale aqui o nosso destaque ao lateral Lucas, que vinha apoiando muito bem e chegando com vontade nas jogadas de linha de fundo, mas, com o jogo truncado ficava difícil de criar situações claras de gol. Outro que mais uma vez jogou e muito (só era parado com falta e toda hora tinha uma bela jogada digna de gritar “olé”) foi Elkeson, o menino está recuperando a grande fase que viveu assim que chegou ao Bota.
Apesar da boa atuação dos dois e até mesmo de Márcio Azevedo (que já vem jogando bem desde o início do ano) o Glorioso sentia falta de Maicosuel, que apesar de não vir em grande fase, possui uma característica de jogo peculiar e essencial à equipe. Como disse, com o jogo agarrado que foi, não podia ser diferente, fim de primeiro tempo e zero pros dois lados.
BOTAFOGO CANSOU, MAS FOI EFICIENTE E PODIA TER GANHADO NO TEMPO NORMAL
As Flores retornaram para a etapa complementar sem alteração no papel, mas com uma atitude mais agressiva e ousada. Enfim, saíram do armário e vieram com tudo pra cima. Tomamos um susto atrás de outro no início do segundo tempo, principalmente com os vários erros na saída de bola que propiciaram boas oportunidades para que eles abrissem o placar, mas todas sem sucesso. Mais uma vez, Jeff estava lá e salvando com grandes defesas, inclusive numa bela cabeçada de Thiago Neves.
Com eles partindo pra cima, restava tentar encaixar contra-ataques, o que pouco o Bota conseguiu fazer também, sempre com jogadas sem objetivos e muitos erros de passes. E assim foi até perceberem o que estava escancarado, o buraco nas costas dos laterais tricolores. Lançamento em profundidade para Herrera que saiu sozinho, na cara do gol e tocou para o meio da área para Elkeson de carrinho abrir o placar no clássico.
Alguns minutos após o gol, até que conseguimos manter a posse de bola e aliviar um pouco a pressão do tricolor, mas, em um vacilo de Márcio Azevedo na formação da linha de impedimento, quatro jogadores do Flu saíram na cara de Jeff após bom lançamento de Deco e mesmo com a bola caindo nos pés de um zagueiro, ele não deu uma de Deivid e carimbou o gol de empate com categoria.
Após o gol de empate, os treinadores começaram a mexer nas equipes para tentar garantir a vitória antes das penalidades. Destaque para a entrada de Caio, que deu velocidade ao time, mas apesar do ritmo alucinante, de nenhum dos dois lados foram criadas oportunidades claras e as emoções ficaram guardadas para a disputa de pênaltis.
A partir daí, após dois gols em tão curto espaço de tempo, as torcidas se empolgaram e começaram a empurrar seus times. Os treinadores também ficaram mais soltos e trataram logo de fazer substituições. Abelão partiu para o tudo ou nada com Araújo e Rafael Moura. Já Oswaldo optou por ser mais conservador com Lucas Zen, mas rápido com Caio, tirando Marcelo Mattos. Só que as emoções de verdade ficariam para a cobranças de pênalti, após o empate em 1 a 1 no tempo normal.
MAIS UMA VEZ, CAINDO NOS PÊNALTIS
O primeiro a bater foi Fred que não deu chances para Jefferson batendo forte e no alto. Depois veio Andrezinho para empatar. O terceiro foi Jean, que bateu muito mal e facilitou as coisas para Jeff defender. Em seguida, Herrera deixou o Bota na frente.
Thiago Neves aliviou um pouco o clima de tensão da torcida tricolor ao converter sua cobrança, a terceira do Fluminense. E daí pra frente a coisa desandou, Diego Cavalieri defendeu a cobrança do lateral Lucas, deixando a decisão empatada em 2 a 2. O Flu ficou na frente de novo após bela cobrança de Rafael Moura, colocando a bola no ângulo esquerdo do gol.
Nosso quarto cobrador foi Renato, que com toda sua experiência converteu. Para eles, bateu o zagueiro Anderson, colocando no canto direito de Jefferson em boa cobrança rasteira. Por fim, restava mais uma vez a tensão de imaginar o que poderia fazer Loco Abreu e infelizmente ele não surpreendeu com uma cobrança genial e facilitou as coisas para Cavalieri que pegou o pênalti e saiu como herói do clássico.
Agora é esperar a Taça Rio e tentar alcançar a final do Carioca. E não, a zuadinha das flores em nada nos atinge, afinal, com bola rolando, ontem completaram 12 jogos sem vitória em clássicos.
FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO 1 X 1 FLUMINENSE (3×4 nos pênaltis)
Local: Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Data/horário: 23/02/2012 – 21h (de Brasília)
Árbitro: Péricles Bassols (RJ)
Auxiliares: Wagner Santos (RJ) e Jackson dos Santos (RJ)
Renda/Público: R$ 541.615 / 17.027 pagantes
Cartões Amarelos: Antônio Carlos (BOT) e Edinho (FLU)
Gols: Elkeson – 28′/2ºT (1-0) e Leandro Euzébio – 34′/2ºT (1-1)




