A saída de RT da CBF não foi da forma que a maioria queria. Sem dúvida, uma saída mais apoteótica, como um pedido público de demissão, traria mais contentamento. Afinal, ao que tudo indica, o cartola agora vai desfrutar com sua família de um período de tranqüilidade e sossego em Miami, depois de usurpar o cargo de dirigente máximo do principal esporte da maior seleção do planeta. Se não podemos cravar os benefícios financeiros (a justiça já está decidindo os inúmeros processos de ilegalidades), não há nenhum perigo em afirmar que os benefícios políticos foram muito bem aproveitados por ele, que se tornou uma das pessoas mais importantes do país, quiçá a mais poderosa depois da escolha da sede do mundial de 2014.
Ricardo Teixeira aproveitou para evitar a saída vexatória, já que tudo estava indicando para esse fim. As acusações de corrupção, a ameaça da justiça suíça de revelar o esquema de propina da ISL (que já resultara na saída do seu ex-sogro, João Havelange, do Comitê Olímpico Internacional), a perda de prestígio na Fifa, principalmente na corrida para o cargo máximo da entidade, os processos no Brasil… A vida pessoal também dava pistas sobre a notícia. Venda de posses, viagem da mulher para os Estados Unidos e, talvez o ponto crucial na decisão, assédio de colegas na escola da filha das suspeitas levantadas por seus pais.
Existe quem entre na onda de defender a sua administração, com seus “cento e poucos títulos, reformulação dos nossos campeonatos, evolução do futebol, reestruturação financeira da CBF e a realização de uma Copa no Brasil”. Méritos, evidentemente, super-valorizados. Que a nossa confederação máxima se tornou um potente marca e fonte de negócios rentáveis e política forte (a ponto de trazer o mundial), ninguém questiona. Mas até isso se tornou motivo de suspeitas e críticas. Boa parte da evolução do nosso futebol é fruto de ações dos próprios clubes e de alguns abnegados. A reformulação dos nossos campeonatos chegou atrasada até em âmbito latino-americano, e ainda existe a defasagem do calendário. E os títulos da seleção? Bem, acho que os jogadores nascidos neste celeiro de craques que é o Brasil têm alguma relação com isso, não?





