Amigos blogueiros e leitores do Rivais do Rio, hoje a postagem não vai abordar apenas o que rola dentro das quatro linhas do futebol dos times da cidade maravilhosa. Gostaria de falar um pouco sobre a conjuntura do esporte bretão no Brasil e muito sobre os quatro grandes da capital carioca. Esse post é inspirado em uma matéria do diário Lance!, publicada no último sábado.

Belluzzo é um dos defensores da profissionalização do futebol
A matéria relatava uma palestra do presidente do Palmeiras e economista, Luís Gonzaga Belluzzo. O encontro com dirigentes dos principais times do Brasil e discutiu os graves problemas financeiros do futebol do nosso país. O presidente alviverde propôs em sua palestra que os clubes busquem novas fontes de renda, que renegociem suas divídas com o governo, e foi bastante além.
O ponto mais polêmico sugerido por Belluzzo é que se estipule um teto salarial para jogadores e técnicos, e outros profissionais ligados ao futebol. O que realmente pode ser uma saída para clubes tão devastados financeiramente. Mas, porque essse assunto está sendo explorado por mim aqui no Rivais do Rio?
Fanfarronice?
Bem, é que duas declarações me chamaram a atenção na matéria do Lance!. Primeiro a do presidente do Fluminense, Roberto Horcades, que, trocando em miúdos, disse que clube brasileiro não morre, afastando qualquer hipótese de falência de um grande tupiniquim. Já o presidente em exercício do Flamengo, Delair Dumbrosck, afirmou que os clubes brasileiros, devem ir ao governo federal para pedir dinheiro.
Aí eu me pergunto: em que mundo eles vivem? Horcades deixa claro que não acredita na profissionalização do futebol no Brasil. Porque se um dia ela chegar, clubes falirão sim, independente do seu tamanho. Já para o dirigente (ou cartola) do Flamengo eu diria que mendigar não é vergonha, mas, para os clubes do Brasil, é no mínimo ridículo.
Tentando levar a sério
Na mesma reportagem, um dirigente do Vasco sugeria que dirigentes tem devem ser responsabilizados pelos crimes que cometem a frente dos clubes. Fábio Fernandes, que é vice-presidente de marketing do Gigante da Colina, afirma que já deveria estar sendo feita uma varredura no futebol do país. Lendo essa matéria, me lembrei de uma declaração do presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, ao cancelar a festa de sua posse. “Não temos nada a comemorar”, disse o dirigente ao ver as condições de treino da base do clube que acabara de assumir.
Consigo enxegar em Vasco e Botafogo uma tentativa de organizar a casa, claro que com erros aqui e acolá, mas, lutando. Já em Flamengo e Fluminense, vejo a velha fórmula. Clubes que jogam para a torcida, não se importando com responsabilidade fiscal, profissionalismo. E quem paga, somos nós, que vemos nossos clubes serem usados, nossos craques indo embora. Lamentável. E diferentemente de Roberto Horcades, tenho medo sim, que clubes brasileiros possam ir a falência. Tomara que não!

Que alguém mostre aos dirigentes de Fla e Flu que eles estão errados!Enquanto tiver esse protecionismo no país, nós que defendemos a profissionalização do futebol, teremos que escutar isso!Concordo com você Bruno, Vasco pós Eurico e Botafogo estão anos luz na frente! E parabéns ao Belluzo que vem demonstrando ser a cara do novo dirigente no país, preocupado com questões muito além das quatro linhas.
Ótimo post!
Definitivamente, Belluzzo é um bem para o futebol. Tem boas idéias, é honesto e trabalha.
A falência administrativa de Flamengo e Fluminense se deve, muito, ao fato dos clubes (todos) serem reféns da torcida e dos resultados. Isso faz com que sejam tomadas as mais variadas medidas para o sucesso dentro de campo. A que custo?
Não basta fechar no azul, contratar com responsabilidade e pensar a longo prazo. Tem que conquistar título. Nem que seja um estadualzinho. Tem que ter jogador de renome, nem que seja um peso pro time.
O Flamengo tem dirigentes populistas, que SEMPRE gastam mais que podem e iludem a fácil-de-iludir torcida.
O Fluminense vive da paixão de um patrocinador, que torra dinheiro. Quando sair, pouco restará ao clube.
Recorrer a dinheiro federal é patético. Participar da Timemania para ajudar os clubes é ignorância. Dizer que um clube grande não pode falir é sentimento de impunidade.
Mas o futebol mexe com a paixão, e a racionalidade é suprimida por gritos de gol…
Concordo com o Harry e ainda digo mais: o grande problema é que o torcedor em geral, não só o de Flamengo e Fluminense ou dos clubes do Rio, torcem pelo “time de futebol do clube” e não pelo clube em si. Eles não enxergam o clube como uma instituição com departamento financeiro, obrigações legais e quadro social. Enxergam como um time de futebol que disputa campeonatos.
Se por exemplo, o Flamengo alcançasse a marca que o Inter conquistou recentemente, a de 100 mil sócios. O que diriam os flamenguistas?
1- Agora temos uma ótima fonte de receita e estamos cada vez menos dependentes da TV e de empréstimos privados.
2- Está provado: temos a maior torcida do Brasil.
Não tenho dúvidas que a alternativa 2. Não só a do Flamengo, mas de qualquer clube. Esta é a questão. Falta visão ao torcedor e há sim esta pressão da torcida sobre os clubes. Pressão como a que não existe no Barueri, por exemplo, ou não existe no São Caetano. Clubes que conseguiram grandes sucessos administrativos.
Não sei se vcs viram no blog do Mauro Cezar Pereira, da ESPN com o “pré-candidato” à Presidência do Flu Julio Cesar Carmo Bueno? Fiquei com um fio de esperança, vale a pena conferir. O link para o blog é http://espnbrasil.terra.com.br/maurocezarpereira e a postagem é do último dia 19.
Não tem jeito, o futebol brasileiro só vai evoluir quando tivermos mais Belluzzos e menos Horcades e Bragas.
Mas o Flamengo diz que não via fazer o programa de sócio torcedor pq tem uma torcida de massa, sem dinheiro…
É a incompetência somada à ignorância
[...] http://rivaisdorio.wordpress.com/2009/07/21/a-conta-e-de-quem/ [...]